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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O teólogo Newton

Pouca gente sabe que Isaac Newton, um dos maiores cientistas de todos os tempos, era também estudioso das profecias bíblicas. Surpreendentemente, a revista Sapiens nº 4 (“filha” da Superinteressante) chamou atenção para esse lado pouco conhecido da história. O texto, com a chamada de capa “A face oculta de Isaac Newton”, afirma que o cientista passou a vida estudando a Bíblia para “prever quando Jesus voltaria à Terra”. O subtítulo, por sua vez, deixa claro o preconceito embutido: “Isaac Newton, quem diria, era um religioso fanático”. Fanático? Na verdade, o fato de Newton não ver contradição entre ciência e religião deveria fazer os cientistas céticos de hoje reverem seus conceitos.

A matéria diz mais: “No caso de Newton, o misticismo e a religião não só conviveram com a ciência como a fortaleceram. ‘Seu mergulho profundo nas experiências alquímicas [...] e nas raízes da teologia pode ter influenciado seus pensamentos a respeito de uma visão mais ampla do Universo’, afirma Michael White, autor da biografia Isaac Newton – O Último Feiticeiro.”

Segundo Sapiens, Newton morreu afirmando que o movimento e as órbitas dos planetas eram definidos por Deus, assim como a composição da matéria. “Se os homens, animais etc., tivessem sido criados por ajuntamentos fortuitos de átomos, haveria neles muitas partes inúteis, aqui uma protuberância de carne, ali um membro a mais”, escreveu o cientista, que “encarava o aprendizado como uma forma de obsessão, uma busca a serviço de Deus”, nas palavras de James Gleick, autor de Isaac Newton.

No fim da matéria, somos informados de que, nos últimos dias de vida, Newton passou a dedicar mais tempo ao estudo da Bíblia. É bastante significativo o fato de que, depois de tanto estudar várias áreas do conhecimento, Newton tenha se dedicado à Bíblia. Teria percebido nela uma fonte mais coerente e segura de informações e de inspiração?

Michelson Borges, editor

Ameaça atômica

Décadas após a Guerra Fria, o mundo volta a se preocupar com a ameaça atômica. O programa nuclear do Irã, o instável Paquistão e o isolamento da Coreia do Norte tornam a Terra um lugar mais perigoso. Apesar dos apelos internacionais pela redução de arsenal, cresce o temor de que outras nações ou mesmo grupos terroristas alcancem essa tecnologia.

O panorama é sério. A Coreia do Norte oferece perigo a sua vizinha do sul e ao Japão. Israel, alarmado com a retórica antissemita do regime iraniano e seu gigantesco programa atômico, pressiona por uma solução militar urgente. E, para complicar mais, segundo uma comissão bipartidária da Câmara dos EUA, o país norteamericano pode sofrer um ataque nuclear até 2013, pois a “margem de segurança” está diminuindo.

Não fosse a ação restritiva de Deus, o planeta provavelmente já estaria sob escombros e sem vida. A afirmação não é exagero, pois o arsenal nuclear mundial atual é capaz de destruir 16 vezes o nosso planeta, e já foi mais de duas vezes maior, segundo Roberto Godoy, especialista em segurança internacional. É evidente que Deus está contendo os ventos da guerra (Ap 7:1), num gesto de misericórdia e graça para salvar milhões, enquanto ainda há tempo.

Diogo Cavalcanti

Arsenal atômico mundial

Rússia: 5.192
Estados Unidos: 1.728
França: 300
Israel: 200
Reino Unido: 192
China: 176
Índia: 75
Paquistão: 15
Coreia do Norte: 2

Fonte: Bulletim of Atomic Scientists/The Guardian. Disponível aqui.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aquecimento global é a nova religião

O título acima apareceu no site Opinião e Notícia, com o seguinte comentário: “É o que diz um renomado geólogo australiano, para quem as alterações climáticas são uma farsa perpetuada por ambientalistas. Ian Plimer, professor de geologia da mineração na Universidade de Adelaide, chega mesmo a dizer que a ideia do aquecimento global virou a nova religião para as elites urbanas dos países ricos [grifo meu]. Ele é um crítico do chamado ‘aquecimento global antropogênico’ – ou seja, produzido pelo ser humano – e da ortodoxia ambiental corrente, segundo a qual o fenômeno pode ser revertido por meio da redução da poluição atmosférica.

“Para Plimer, o aquecimento global é algo natural, com muitos precedentes na história do Planeta. Ele não é o primeiro cientista renomado a dizer isso, mas dá mostras de que não irá se dobrar ante a pressão do ‘jacobinismo ambiental’.”

O que Plimer parece não saber é que o ambientalismo, também chamado por alguns de ECOmenismo, está ajudando a unir movimentos, grupos e instituições tão díspares como o Vaticano e cientistas ateus em torno de um mesmo ideal: salvar a Terra da destruição. E eles têm até uma proposta: parar um dia na semana para que o Planeta possa “descansar”. Que dia será esse?

Michelson Borges, editor

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Juventude espiritual

Adolescentes e jovens não se interessam em igreja e religião. Essa impressão às vezes leva os pais e líderes espirituais a coçar o queixo, franzir a testa e declamar discursos de ordem. Porém, isso pode refletir muito mais a realidade dos adultos e seu próprio desinteresse. É o que revela uma pesquisa entre adolescentes e jovens norte-americanos, realizada pelo Barna Research Institute.

Segundo a pesquisa, os adolescentes e jovens vão mais à igreja do que os adultos e participam mais de reuniões de pequenos grupos. Apesar disso, eles oram menos que os adultos e leem menos a Bíblia (10% menos, em ambos os casos). O que a juventude mais espera em relação à igreja (45%) é “louvar e ter uma experiência de comunhão com Deus”. Conhecer melhor as próprias crenças é a segunda principal preocupação desse grupo (42%). Entre as preocupações menos importantes, estavam participar de um grupo de estudos (19%) e estudar a Bíblia (18%).

Embora adolescentes e jovens desejem ter comunhão com Deus e conhecer mais a respeito das próprias crenças e valores, parece que têm pouca paciência para os modelos tradicionais de estudo da Bíblia. A geração Orkut tem dificuldade em assimilar formas de estudo bíblico lineares e não interativas. Isso não representa falta de espiritualidade, mas revela uma nova forma de encarar a vida e aprender. Essa realidade desafia pais e líderes espirituais a deixar de lado o conforto dos seus próprios modelos e buscar formas de maior interação, estabelecendo conexões entre a mensagem em seu contexto histórico, os dramas e as alegrias do público jovem, e a realidade atual.

Adolescentes e jovens estão em uma fase de definição de seu futuro espiritual. Mais do que doutrinados, querem ser ouvidos quanto às suas dúvidas, aconselhados em relação aos seus temores. Então, poderão ser guiados à fonte de toda a verdade e estabelecer links infinitos entre a Palavra e a vida.

Guilherme Silva, jornalista

Fábulas do século 21

O Código Da Vinci, Evangelho de Judas, elo perdido... O ser humano continua fugindo da verdade e se agarrando em ilusões

O sucesso do filme “O Código Da Vinci”, a publicação do conteúdo do pergaminho conhecido como Evangelho de Judas e a descoberta de novos fósseis tidos como “elos perdidos” colocaram lenha na fogueira da discussão em torno da autoridade das Escrituras Sagradas. Será a Bíblia o único relato confiável sobre a vida de Jesus? E o Gênesis, estaria com a razão, quando o assunto é a origem da vida?

O CÓDIGO DA CONTROVÉRSIA

Talvez a melhor postura a se adotar com relação ao livro de Dan Brown, O Código Da Vinci (que inspirou o filme homônimo), fosse a do jornal L’Osservatore Romano, que resenhou o filme e colocou como título do texto “Muito barulho por nada”. A Folha de S. Paulo do dia 25 de maio, no artigo “Código do barulho”, sugere que tratar o livro e o filme de Brown como “uma ficção rocambolesca de segunda linha, confusa e inverossível” é o que se deve fazer para minar “a propagação de temas e interpretações indigestos”. Concordo. O problema é que tem muita gente assistindo ao filme e achando que é tudo verdade... Que Constantino inventou a divindade de Cristo no Concílio de Nicéia. Que foi esse concílio que determinou que livros deviam ser incluídos no Novo Testamento. Que Jesus casou com Maria Madalena e teve uma filha. Que uma organização secreta foi encarregada de preservar esse “segredo do Jesus verdadeiro”. E mais um bocado de outras “revelações”.

Brown, baseado em livros apócrifos gnósticos, sustenta que, após a crucifixão de Jesus, Maria e a filha deles, Sara, partiram para a Gália (França), onde teriam fundado a linhagem dos reis merovíngios. O autor diz ainda que essa dinastia perdura até hoje na misteriosa organização conhecida como Priorado de Sião, entidade secreta que tinha os Templários como braço militar. Há até a suposição de que Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Victor Hugo tenham figurado entre os membros dessa organização. Tudo com uma base histórica firme como geléia.

Carlos Alberto di Franco lembrou, em julho de 2004, no jornal O Estado de S. Paulo, algumas críticas de respeitáveis jornais estrangeiros a respeito do livro de Brown: El Mundo chama-o de “um livro oportunista e pueril”; The New York Times, de “um insulto à inteligência”; Weekly Standard, de uma “mixórdia de narrativas inimagináveis”; The New York Daily News declara que o livro contém “erros crassos, que só não chocam um leitor muito ingênuo”. O problema é que há muitos leitores ingênuos. Milhões deles.

O Jornal do Brasil, do dia 16 de dezembro de 2004, publicou um artigo de Ives Gandra Martins. A certa altura, ele declara: “No mundo da informação comprovada e dos acessos às fontes, como admitir que se consiga desvendar um segredo não revelado – de 2 mil anos! – de que Cristo teve uma filha? Ou que nas vidas altamente investigadas de Boticelli, Leonardo da Vinci, Boyle, Newton, Victor Hugo, Debussy e Cocteau seus investigadores não descobriram que eles eram grandes mestres de uma fantástica sociedade secreta denominada Priorado de Sião, cuja função era guardar o segredo da filha de Jesus? Todos os historiadores do mundo não descobriram o que o oportunista Dan Brown descobriu em investigações cujas fontes é incapaz de citar. A história é pisoteada por alguém que, sem escrúpulos, mente deslavadamente, sobre tudo.”

Todo o problema vem dos chamados “evangelhos” gnósticos – pano de fundo da obra de Brown. Eles retratam Jesus como um espírito superior, mas afirmam que Ele era um homem como qualquer outro. E se Jesus foi um homem qualquer, qual o problema de ter-Se casado e ter tido filhos?

Uma rápida comparação entre os quatro evangelhos bíblicos e os apócrifos gnósticos mostra que entre eles há um abismo intransponível. O Evangelho de Tomé – outro dos livros gnósticos – afirma, por exemplo, que “quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas”. E assegura que a salvação vem por meio do autoconhecimento, ou pela sabedoria, não pela fé. Confundindo a importância do autoconhecimento – num contexto freudiano – com salvação, mais e mais pessoas têm adotado esses livros não canônicos como sua Bíblia. Mas o conhecimento que salva, do qual fala a verdadeira Palavra de Deus, consiste em conhecer a Deus e a Jesus Cristo (ver João 17:3).

Pretender que os chamados “evangelhos” apócrifos tenham o mesmo peso e confiabilidade dos Evangelhos canônicos é desconhecer a história bíblica. Além de os apócrifos gnósticos terem sido escritos depois dos quatro evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João são os únicos relatos que foram, ou escritos por testemunhas oculares da vida de Jesus, ou corroborados por elas. E é bom deixar claro que a igreja primitiva já aceitava a inspiração divina dos quatro evangelhos muito tempo antes de Constantino convocar o Concílio de Nicéia. Graças ao historiador Eusébio, sabe-se que 20 decretos foram promulgados em Nicéia. Nem um único diz respeito ao cânon.

Entre a ficção de Brown e a Bíblia, qual você escolhe?

INOCENTANDO O CULPADO

A revista National Geographic publicou um documento trazendo o que seria o ponto de vista de Judas Iscariotes sobre a crucificação de Cristo. O papiro de 31 páginas é conhecido como Evangelho Segundo Judas, e é datado entre os séculos 3 e 4. Segundo a imprensa, que divulgou bastante o assunto, acredita-se que o documento seja uma cópia de um original escrito por volta de 150 d.C.

De acordo com o doutor em Novo Testamento pela Andrews University e especialista em Novo Testamento, Origens Cristãs e Grego Bíblico, Wilson Paroschi, o Evangelho de Judas consiste numa composição feita por gnósticos cainitas, seita herética do início do cristianismo. “Essa heresia consistia numa estranha mistura de tradições cristãs, mitologia grega e religiões orientais”, explica ele. “Não é fácil descrever o gnosticismo em poucas palavras, mas em linhas gerais, os gnósticos rejeitavam o Deus do Antigo Testamento, como sendo uma espécie de deus inferior (demiurgo) e repleto de más intenções, e alimentavam sentimentos anti-semitas. Por causa disso, eles negavam o relato da Criação de Gênesis e adotavam em seu lugar uma teoria das origens muito complexa, caracterizada por conceitos extraídos principalmente da filosofia e mitologia gregas. O Evangelho de Judas, na verdade, apenas reflete as crenças desse grupo.”

A revista Época de 19 de fevereiro admite que, “como o Evangelho de Judas é muito posterior ao tempo em que os eventos teriam ocorrido, não se pode nem mesmo tentar buscar algo nele sobre a figura histórica de Judas”. Então, por que tanto falatório na mídia sobre o manuscrito? A National Geographic Society pagou algo em torno de um milhão e meio de dólares para poder divulgar o documento. E para tentar obter o retorno do investimento, criou uma trama sensacionalista, apresentando o tal evangelho como “o mais autêntico e confiável de todos”. Interesses puramente comerciais. “Quando olhamos para os evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas, e João), vemos que todos eles, conquanto diferentes entre si, apresentam a vida e os ensinos do mesmo Jesus. Há unidade de pensamento e em todos eles o ponto central do evangelho é o sacrifício de Jesus. Esse é o verdadeiro evangelho – a história do Deus que Se fez homem e morreu como homem para a salvação da raça humana”, conclui Paroschi.

O NOVO “ELO PERDIDO”

O jornal O Globo, e em sua versão online de 6 de abril, publicou a matéria “O elo perdido dos pioneiros na terra”, com o subtítulo “Fóssil de peixe capaz de deixar a água é um duro golpe no criacionismo”. Mas será que é isso mesmo?

Numerosos esqueletos fossilizados de um peixe chamado Tiktaalik roseae foram encontrados no Canadá, a 960 quilômetros do Pólo Norte. A descoberta foi anunciada na revista Nature. Os esqueletos bastante conservados para sua idade indicam que o peixe chegava a quase três metros de comprimento e, para alguns cientistas, seria um animal de “transição”, por apresentar caraterísticas tidas como próprias de seres terrestres: barbatanas assemelhadas a membros e “estruturas primitivas” de tornozelos, cotovelos e ombros. O peixe também tinha a cabeça chata, semelhante à de um crocodilo, e pescoço, quadris e outras partes do corpo similares às de animais de quatro patas conhecidos como tetrápodes. O artigo da Nature diz que a criatura é claramente um elo entre os peixes e os vertebrados terrestres.

Para o pessoal da Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br), rrata-se, na realidade, de um retorno às especulações análogas que foram feitas no século passado quanto a outro suposto elo encontrado (e posteriormente perdido novamente) entre peixes e animais terrestres, o famoso Celacanto. “Ao invés de apresentar informações consistentes a favor da tese evolutiva, o artigo apregoa que a descoberta (sobre a qual são dadas apenas escassas informações morfológicas) é vista pela ciência ‘como um forte golpe nos religiosos criacionistas’ que, ainda acrescenta, ‘pregam uma leitura literal da Bíblia sobre a origem e o desenvolvimento da vida’”, diz a SCB e artigo publicado em seu site.

O texto da Nature termina afirmando que os fósseis descobertos “são uma evidência concreta contra a crença criacionista de que não existiam fósseis de transição”. Na realidade, a existência de fósseis de transição é que constitui uma crença centenária dos evolucionistas, que desde Darwin não conseguiram encontrar nenhum que merecesse consistentemente ser assim considerado. Daí a propaganda enganosa desse artigo!

A mesma revista Nature divulgou precipitadamente, no início de 2003, o fóssil Microraptor gui como elo entre dinossauros e aves, posteriormente tendo que se retratar. Da mesma forma, a revista National Geographic teve que se retratar da divulgação precipitada do fóssil Archaeoraptor liaoningensis feita em fins de 1999, como elo entre dinossauros e aves.

Os cientistas que aceitam a estrutura conceitual evolucionista consideram o fóssil como “uma espécie de transição”. “Na realidade”, segundo a SCB, “a alternativa científica que não foi mencionada é a que já foi aceita de há muito com o estudo procedido a respeito do ornitorrinco – uma forma ‘mosaica’”. A esse respeito, leia o que cientistas criacionistas dizem sobre a questão “Formas-Mosaico” ou “Formas de Transição”:

“Na discussão sobre a possibilidade de formas evolutivas intermediárias, deve-se discernir cuidadosamente noções descritivas e interpretativas. Os seres vivos que reúnem características de diversos grupos são qualificados como formas-mosaico ou formas de transição. Estes conceitos devem ser entendidos como descritivos e não dizem nada sobre a relação de origem. Se as formas-mosaico forem interpretadas como de transição filogenética entre esses grupos, usamos o conceito de ‘elos de ligação’ ou ‘formas de transição’. As formas-mosaico como, por exemplo, a ‘ave’ primitiva (Archaeopteryx) não podem ser automaticamente avaliadas como formas evolutivas de transição; em muitos casos, isto nem sequer é possível (por exemplo, com o ornitorrinco).” – Evolução, Um Livro Texto Crítico, Reinhard Junker e Siegfried Scherer, SCB, Brasília, 2002.

Michelson Borges, eitor