quinta-feira, 8 de julho de 2010

# Treinamento (1º dia)

# Malásia 2010a
Chegamos!
Depois de 60 horas de viagem, contando todos os trajetos desde Engenheiro Coelho, SP, até o aeroporto de Guarulhos, chegamos à Malásia. Estamos no Estado de Sabah, na cidade de Kota Kinabalu. A foto retrata um pouco do país. Após conversa com os militares, tivemos autorização para fotografar, mas apenas nesse local. Afinal, o aeroporto de Kota Kinabalu é uma base militar e as fotos são restritas.

Apresentamos os passaportes e fomos aceitos como turistas. Por aqui, essa é a maneira de conseguir entrar e desenvolver as séries de evangelismo. Programas religiosos oficiais vindos de fora não são bem vistos. Ou seja, chegamos como turistas para ajudar o programa oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Kota Kinabalu.

# Malásia 2010b
Pr. Luís Leonor (ShareHim)

O primeiro dia de trabalho na Malásia foi muito bom. No treinamento, recebemos detalhes sobre o país e conhecemos os pastores locais. Percebemos que a principal dificuldade para a pregação do evangelho não é a financeira, mas sim a repressão do sistema muçulmano. Para os jovens que procuram um lugar para viagem missionária fica aqui a dica, Malásia. Povo acolhedor, moeda mais fraca que o real e desafios tremendos para batismos e ajudas cristãs. No treinamento, já sentimos a mão de Deus nos conduzindo.

Para saber +
Siga os perfis www.twitter.com/eduardoteix e www.twitter.com/felipetonasso
Você pode acessar também: http://tonasso.blogspot.com/

Missão Malásia

Começa aqui o diário de bordo da viagem missionária para a Malásia. Algumas explicações são necessárias para que todos possam participar de maneira mais interativa, não só lendo as novidades desse projeto, mas orando em prol de toda essa movimentação. Dividiremos o diário em três partes: antes, durante e depois. As informações são fornecidas pelo jornalista e estudante de Teologia Eduardo Teixeira, que além de pregar, participa do projeto gravando um documentário e preparando uma matéria especial para a edição da Conexão JA de outubro. Vale a pena conferir e divulgar!




#
O que é?

O projeto Missão Malásia é a aventura missionária de seis alunos de Teologia e seu professor Berndt Wolter. A iniciativa é uma parceria do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho com a organização ShareHim (www.sharehim.org). É a primeira vez que o curso envia alunos para esse país asiático que pertence a Janela 10/40, delimitação geográfica que vai do oeste da África à Ásia, em que presença cristã é minoritária ou inexistente em alguns países.




Nessa região do Planeta, a liberdade religiosa, quando existe, é frágil. Logo, muitos cristãos e missionários sofrem perseguição. Ali, o cristianismo avança mais vagarosamente. Para entender melhor as tensões religiosas na Janela 10x40, acesse o estudo. Os dados disponíveis nesse link se referem às perseguições oficiais do Estado ou aos ataques de parte da população.

#O campo missionário



• É um país do sul asiático.

• Tem 28 milhões de habitantes.

• Dentre os muitos dialetos, o malaio é a língua mais falada, seguida do inglês.

• A capital é Kuala Lumpur.

• 60,4% da população é islâmico e toda estrutura governamental é dominada por um partido muçulmano.

• De acordo com o artigo 160 da Constituição da Malásia, todos os malaios deveriam ser considerados de etnia muçulmana, apesar da grande diversidade étnica-histórica da população da região.

• Na Malásia, 9,1% dos habitantes são cristãos. No Brasil, o número de cristão se aproxima de 95% da população.

#Doações

Só estamos aqui (eu especialmente) por causa das doações do Quiet Hour e de várias igrejas e amigos que ajudaram. Esse é um espaço também para agradecer quem ajudou. Obrigado! O versículo que marcou o período em questão foi: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (Lc 6:38).

# O projeto

A viagem é para a cidade de Kota Kinabalu na região de Sabah, a parte menos favorecida da Malásia. Vamos pregar para chineses e indianos, além dos malaios, em maior quantidade. Serão 19 noites de pregação em inglês. Para isso contamos com as apresentações preparadas pelo ShareHim que contam com sincronização, ou seja, enquanto o orador lê os tópicos em inglês são projetos os slides em malaio para o público. Na agenda do dia está previsto: estudar os sermões pela manhã, visitar na parte da tarde e pregar à noite.

# Curiosidade

Os muçulmanos exclusividade no uso da palavra Alá, por isso, poderemos usar apenas God, Jesus e Holy Spirit. Ver matéria da Época.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Dupla aprovação

Professora relata como conquistou o diploma universitário sem abrir mão da guarda do sábado

Estou escrevendo a seguir um pouco da minha história como universitária. Resolvi fazer isso porque vejo muitos jovens abandonando seus princípios, especialmente a guarda do sábado, por causa das aulas. Meu nome é Brunna Laryelle Silva Bomfim e moro em Nazaré do Piauí, PI, cidade com menos de 10 mil habitantes, a duzentos quilômetros de Teresina. Em 2006, aos 16 anos, fui aprovada no curso de Ciências Biológicas do CEFET-PI (atualmente IFPI), campus Floriano. Nunca dei trabalho aos meus pais em relação aos estudos, mas meu Ensino Médio não foi muito bom, por isso, enfrentei muita dificuldade na universidade.

Logo no primeiro semestre, já conversei com os professores e a coordenadora do curso sobre as aulas de sextas à noite. Em princípio, tudo ficou resolvido. Eu fazia as provas e trabalhos e entregava para os professores semanalmente. Porém, no fim do semestre, tive que fazer a prova final em duas disciplinas, justamente as mais importantes. Caso fosse reprovada nelas, não poderia cursar algumas matérias no semestre seguinte. As avaliações estavam marcadas para sexta à noite. Conversei com os professores e, apesar da má vontade de um deles, ambos aplicaram as provas na sexta de manhã. Quase todos os alunos que fizeram a prova naquela noite perderam a matéria, mas eu consegui passar. De 40 alunos, apenas dez passaram em todas as disciplinas do primeiro semestre, 15 desistiram e 25 continuaram o curso.

No período seguinte, tive a matrícula de uma disciplina cancelada por não assistir as aulas dos sábados pela manhã. Resultado: sem muitos problemas, cursei essa matéria no ano seguinte. Em 2008, um professor ateu que substituía a professora titular decidiu não abonar minhas faltas. Fui reprovada, mesmo tendo nota superior a de outros alunos que assistiram todas as aulas. O jeito foi refazer essa disciplina nas férias.
Nos estágios tive mais facilidade, pois adaptei os horários. Fiz muitas viagens para congressos e aulas de campo, porém, na maioria das vezes, elas foram realizadas nos fins de semana. Quando isso acontecia, no sábado, eu faltava às aulas ou eventos e procurava a igreja adventista mais próxima. Quando não tinha um templo na cidade, eu ficava no dormitório fazendo o culto sozinha. Dos 20 alunos da turma, eu era a única que não ia para as festas. A fidelidade é uma coisa necessária para aqueles que querem servir a Deus. Lá, ninguém estaria me vendo, por isso, poderia fazer o que eu quisesse, porém, Deus estava vendo, e isso é mais importante.

Terminei meu curso em 2009 e em março deste ano, minha turma participou da colação de grau. Dos 40 alunos que começaram o curso, só quatro terminaram no tempo certo. E eu, pela graça de Deus, estava entre eles, aos 20 anos, formada e aprovada em dois concursos públicos. Atualmente, trabalho numa cidade sem presença adventista. Tentei ser transferida dessa cidade, mas percebi que Deus queria que eu testemunhasse de alguma maneira ali. Sempre que possível faço cultos em um bairro. Minhas alunas convidam pessoas, e ai eu canto, oro e prego para elas. Orem para que Deus me ajude. Na universidade existem muitas formas de esquecermos de Deus, mas há outras de nos achegarmos a Ele. Se você passa por algo parecido, implore pela ajuda Dele!

Conheça o blog da igreja da Brunna: http://adventistasnazare.blogspot.com/ ou compartilhe sua experiência com ela, pelo e-mail: http://www.blogger.com/brunnalaryelle@yahoo.com.br

terça-feira, 6 de julho de 2010

Além de seu tempo

Professor defende tese doutoral que explica o pensamento de vanguarda de Ellen G. White

Nascido na Bolívia, mas radicado no Brasil, o professor e pastor Adolfo Semo Suárez deve à educação cristã sua conversão ao adventismo. O contato com a escola adventista na juventude o motivou a fazer da docência seu ministério. Toda sua carreira tem sido dedicada ao ensino religioso no Ensino Fundamental, Médio e Superior. Autor de três livros, Adolfo também é co-autor da série Interativa de Ensino Religioso (http://www.cpb.com.br/), utilizada nas escolas adventistas brasileiras. Nessa entrevista, ele fala sobre o tema de sua tese doutoral, defendida há pouco mais de um mês na Umesp, em São Bernardo do Campo, SP. Durante dois anos, um deles passado nos Estados Unidos, Adolfo estudou por que a americana Ellen Gold White, principal referência da educação adventista, escreveu e promoveu conceitos educacionais de vanguarda para sua época. Ele é formado em Teologia e Pedagogia, é mestre em Ciências da Religião, é professor assistente do MBA em Liderança da Andrews University (EUA) e docente do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), em Engenheiro Coelho, SP.

1) Parece-me que as conclusões de sua pesquisa apontaram para alguns conceitos educacionais de vanguarda de Ellen White, escritos no século 19. Em que aspectos ela se mostrou além de seu tempo?

Em diversos aspectos. Aponto ao menos dois. Em seus escritos há uma sólida abordagem sobre o caráter holístico da educação, discussão que seria valorizada por outros autores apenas algumas décadas depois de seu primeiro e famoso texto chamado “A Educação Ideal” (Testemunhos Seletos, vol. 3). Ela defendia que deveria se evitar a fragmentação educacional e se valorizar todos os aspectos do homem, inclusive o espiritual.

Outro conceito pioneiro do pensamento de White foi a temática da libertação-liberdade, especificamente quanto ao pensamento reflexivo. Enquanto que a tendência da sua época era a padronização e ortodoxia da educação, que produzia estudantes “formatados”, ela defendeu o desenvolvimento do senso crítico, a fim de que os alunos simplesmente não refletissem o pensamento de outros.
A postura de Ellen White é inovadora e até ousada para seu tempo, e adquire maior significado quando percebemos que suas ideias contrariaram seu próprio grupo religioso, que, de modo geral, preferia não investir em educação devido sua crença na brevidade da volta de Jesus.

2) A ideia de uma educação libertadora, conforme concebida por Paulo Freire, é recorrente nas discussões sobre educação. O que ele pensava sobre isso e como seus estudos convergem e divergem da posição de Ellen White?

Nas palavras de Freire, o ser humano tem consciência de sua finitude. E sua transcendência nasce justamente “na consciência que tem desta finitude. Do ser inacabado que é, cuja plenitude se acha na ligação com seu Criador” (Educação como Prática da Liberdade, p. 48). Ao contrário dos fenomenólogos, conforme André Gustavo Ferreira da Silva, Freire entende “que a liberdade [...] não é a transcendência em si, mas a sua completude pela dimensão supra mundana, a suprema autonomia diante da própria materialidade”, ultrapassando “o mundo e sua própria materialidadade”(O Conceito de Liberdade no 1º Paulo Freire, p. 7). Esse conceito parece estar em sintonia com a ideia de White sobre a impotência humana, que impossibilita o homem de escapar de suas próprias limitações, tornando indispensável a participação divina. Já a principal divergência entre White e Freire é a respeito dos fundamentos da liberdade: enquanto White entende a liberdade como fundamentada em Deus – é um chamado divino – Freire a compreende como um desejo do oprimido, o qual nasce no coração dele.

3) Como a experiência de superação pessoal de Ellen White influenciou seus escritos?

Ao analisar a infância de Ellen White, percebo que desde a meninice ela foi forçada a aprender a lidar com a rejeição. Sentia-se rejeitada por ser diferente em sua condição física (na infância, White recebeu uma pedrada no rosto, o que lhe trouxe complicações de saúde para o resto da vida) e, consequentemente, sentia-se diferente por ser rejeitada. Essas rejeições se manifestaram ao longo da vida, especialmente quando seus conselhos e orientações estavam na contramão daquilo que a maioria esperava.

Creio que podemos enxergar na experiência de superação pessoal de White uma metáfora daquilo que todo sujeito é capaz de alcançar, especialmente quando se conscientiza de suas limitações e possibilidades e de que deve, deliberadamente, ser o construtor de suas realizações, tendo Deus como o gerador de sentido para uma vida que muitas vezes parece não ter sentido. Essa pedagogia se mostrou importante para a nascente igreja, pois lhe apontou suas possibilidades e limitações e ensinou-lhe a depender de Deus em seus desafios.

4) Como o senhor explica a contribuição educacional de Ellen White para um movimento religioso, sendo que ela teve acesso a apenas à educação elementar?

Tenho plena convicção de que a percepção e o pensamento seminal de Ellen White sobre educação não eram possíveis por meios meramente humanos. Toda essa contribuição é fruto da revelação de Deus. Afirmo isso por que a abordagem de certos temas (serviço, pensamento crítico, redenção e educação, holismo educacional, para citar alguns) eram incipientes em sua época. Como ela teria a sensibilidade de abordá-los sem ter uma sólida formação teórica? Daí que só resta uma resposta sensata: foi fruto de revelação.

5) A educação confessional está em alta ou baixa? O que diferencia a filosofia educacional adventista dos demais modelos confessionais?

A educação confessional, de modo geral, não cresce. Mas a educação adventista avança a passos largos. E creio que avança, em grande medida, por causa de sua proposta diferenciada. E sua grande diferença não é a abordagem religiosa, pois essa temática é cada vez mais frequente na educação secular. Seu diferencial é, primeiramente, a proposta de transformação total da personalidade, a restauração da imagem de Deus no homem. A segunda distinção é a comunhão A educação adventista propõe fazer do processo ensino-aprendizado um ato de partilha, por isso valoriza a comunhão entre alunos e alunos, e entre estudantes e professores.

6) Além dos aspectos religiosos, quais são as contribuições do pensamento de Ellen White para hoje?

Muitas! Mas fico apenas na questão da redenção e do serviço. As implicações da noção de educação-redenção para a práxis educacional ocorrem em pelo menos três aspectos: (1) modifica o sujeito ao longo da vida, por que é um ensino que não se limita a sala de aula, sendo capaz de unir a educação familiar, escolar, social e eclesial; (2) modifica o sujeito em sua complexidade, promovendo todas as potencialidades humanas (não apenas as cognitivas), o sintonizando à demanda multidimensionais da sociedade. Finalmente, destaco que ela propôs uma práxis pedagógica que prepara para o serviço. Assim, mediante uma vida de utilidade, o ser humano é elevado acima da escravidão da artificialidade.

7) Que riscos reais as escolas adventistas correm de perder a identidade e como reverter esse processo?

A prática educacional se faz fundamentada em ideologias. Quando as ideologias assumidas (consciente ou inconscientemente) divergem da proposta que originou o movimento – as quais se mostram certas, apropriadas – então a prática educacional assume outro “rosto” ou “roupagem”, o que desfigura sua proposta inicial. A educação adventista corre esse risco porque, à medida que o tempo passa, vivemos mais longe dos fundadores, o que contribui para o esquecimento das ideologias fundantes. Como reverter esse processo? Precisamos refletir em nossas práticas, a fim de sermos capazes de discernir o que devemos reafirmar e solidificar, e o que devemos mudar para manter nossa missão e identidade. Para isto, nada melhor do que a releitura daquilo que um dia formou nossa identidade.

8) O senhor leciona e vive próximo a um campus de internato. Por que Ellen White apoiou a construção de internatos e qual é a relevância desse modelo hoje para os alunos do ensino superior?

Ela apoiou os internatos por que tinha a convicção de que haviam sido estabelecidos a fim de preservar os jovens das más influências. No seu entender, essas instituições deveriam prover uma “atmosfera doméstica” aos jovens, para resguardá-los “de tentações à imoralidade” (Counsels on Education, p. 154). Os internatos cumprem um papel fundamental hoje para os estudantes do ensino superior, oferecendo a eles uma sólida formação integral: cognitiva, social, emocional, física e espiritual, pois o internato – com suas diversas programações – cria possibilidades para isso. Ademais, nesse ambiente, o aluno adquire autonomia, responsabilidade e disciplina, elementos fundamentais para o sucesso profissional - Por Wendel Lima.

Saiba +
A Igreja Adventista mantém dezenas de internatos ao redor do mundo. No Brasil, seis campi oferecem cursos no ensino superior, confira:

Faama - Faculdade Adventista da Amazônia (Benevides, PA)
http://www.faama.org.br/
FADBA - Faculdades Adventistas da Bahia (Cachoeira, BA)
http://www.iaene.br/
Fadminas – Faculdades Adventistas de Minas Gerais (Lavras, MG)
http://www.fadminas.org.br/
IAP - Instituto Adventista Paranaense (Ivatuba, PR)
http://www.iap.org.br/
Unasp - Centro Universitário Adventista de São Paulo (Capital e interior)
http://www.unasp.edu.br/

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Entre a fé e o mito

Vez ou outra o Santo Sudário, mortalha identificada por alguns como o pano que cobriu Jesus após sua morte, é pautado pela imprensa, especialmente em datas de interesse cristão, como a Páscoa. Por isso, na semana passada, diversas matérias sobre a reconstituição do rosto do defunto envolto na relíquia ganharam destaque, dentre elas uma veiculada no Fantástico do último domingo. Para saber um pouco mais sobre o que há de concreto e sensacionalista nessa discussão, conversei com o professor Rodrigo Silva, doutor em Novo Testamento, especialista em Arqueologia Bíblica pela Universidade Hebraica de Jerusalém e curador do Museu Paulo Bork do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), onde também leciona no curso de Teologia. Ele, que apresenta o programa Evidências da TV Novo Tempo, explica por que é cético em relação ao sudário e se a imagem imortalizada que temos de Jesus tem respaldo histórico.

1) Apesar de a autenticidade do Santo Sudário já ter sido seriamente questionada, por que a relíquia é pauta recorrente?

O que temos são modismos sensacionalistas. Por exemplo, quando em 1980 três laboratórios mostraram, a partir do teste de carbono 14, que o pano era da Idade Média, o descrédito veio a tona na mídia. Em 2005, quando a Igreja Católica declarou que o pano submetido a exame, por engano, fora apenas um remendo feito no sudário por freiras na Idade Média, a questão voltou ao noticiário. A seguir, em 2009, quando um sudário autêntico do primeiro século foi encontrado numa tumba em Jerusalém, a comparação com o sudário de Turim novamente lançou dúvidas sobre o assunto. Mas, vale lembrar que, a veracidade do sudário não foi o tema da matéria do Fantástico e sim a reconstituição do rosto do suposto morto envolvido no pano.

2) O senhor se considera um crítico ou no mínimo um desconfiado em relação à mortalha. Por quê?

Apesar de crer na ressurreição literal de Jesus, não aprecio a fabricação de argumentos para consubstanciar minha fé. A legitimidade ou não do Santo Sudário, não me faz mais nem menos crente acerca da historicidade da ressurreição. Além disso, as investigações sobre a peça ficaram restritas a Igreja Católica, o que dificulta a credibilidade da pesquisa. Mesmo assim, o grupo que investigou um pedaço do pano, sob a tutela da Igreja, teve resultados muito contraditórios, sem contar os outros três laboratórios que dataram a "relíquia" como pertencendo à Idade Média. Logo, do ponto de vista científico ou acadêmico há muito pouco o que dizer sobre um objeto que não está disponível para investigação.

3) E o que de concreto pode haver contra a autenticidade do sudário?

Alguns fatores, entre eles, a não comprovação de que o sangue contido no pano seja humano. E ainda que seja de um homem, intriga porque o sangue fresco em contato com o lençol deixaria um borrão e não a marca de um tênue escorrimento. Em segundo lugar, se o corpo de Jesus foi levado envolto no lençol desde a cruz até o túmulo, a caminhada apressada dos discípulos provocaria marcas de transporte no tecido. Essas marcas não existem. Em terceiro lugar, a Bíblia, no texto de João 19:38 a 20:7, menciona que Jesus foi envolto em "lençóis", no plural. E indica também que um dos panos estaria envolvendo apenas a cabeça. Essa descrição contraria a teoria do sudário, por ser uma peça única.

4) E quanto à posição do corpo?

As mãos do defunto sobre a pélvis é no mínimo suspeita. Segundo o costume judeu, os corpos tinham os braços estendidos do lado do corpo ou ajeitados junto ao dorso (a cabeça também era virada para um dos lados). No caso do sudário, as mãos foram delicadamente colocadas sobre o baixo-ventre, como se estivesse cobrindo a nudez do defunto, imagem que parece evocar o puritanismo artístico-medieval. Outra suspeita é a suposta moeda romana vista nos olhos do corpo, demonstrando mais uma prática da Idade Média do que dos tempos do Novo Testamento. E por fim, chamo atenção para o silêncio da Bíblia em relação ao sudário. Se ele fosse autêntico teria sido mencionado pelos discípulos ou críticos de Jesus.

5) No decorrer dos séculos, a figura de um homem alto, com barba e cabelos longos foi praticamente imortalizada como a imagem de Jesus. É possível precisar quando Cristo começou a ser retratado dessa forma e por quê?

Até o início do quinto século praticamente não havia representações artísticas da cruz e da crucificação. Os primeiros cristãos pareciam pouco inclinados a destacar visualmente a morte humilhante do filho de Deus, preferindo retratá-lo em vida como amigo, senhor e protetor. Mas é no período bizantino que se começa a explorar mais as feições faciais de Cristo, de um Jesus com barbas e cabelos longos. Porém, segundo Irineu de Lion, um escritor da Igreja Cristã que viveu no 2º século depois de Cristo, ou seja, muito mais próximo das fontes apostólicas, as descrições feitas em sua época sobre Jesus eram completamente equivocadas. Santo Agostinho de Hipona, por sua, escreveu no começo do 5º século que ignorava completamente as descrições artísticas feitas de Jesus. Talvez, sua fala fosse uma condenação a riqueza e ostentação manifestadas por um cristianismo que dava as mãos para o império romano e se distanciava cada vez mais da simplicidade dos primeiros seguidores de Cristo.

6) O que a Bíblia e os escritos dos primeiros cristãos dizem sobre a aparência física de Jesus?

Na Bíblia, não encontramos um “retrato falado de Jesus”, porém, se aliarmos sua leitura às informações arqueológicas disponíveis, é possível encontrar ali poucas, porém, razoáveis possibilidades. Inquestionavelmente ele era um semita, e como os povos que habitavam ao sul do Mediterrâneo, deveria se distinguir dos gregos e romanos pela cor azeitonada da pele, olhos negros, cabelo escuro, nariz arqueado e estatura mediana. Pelo trabalho pesado que exercia como carpinteiro (não de móveis, mas no corte de pedras e de madeiras para a construção de casas), e por conseguir carregar a cruz por um bom trajeto, Ele deveria ter um físico musculoso.

7) Há poucos anos, uma pesquisa feita com base no crânio de um judeu do primeiro século sugeriu uma face morena e mais arredondada para Cristo, bem distinta da tradicional. Seria essa mais próxima da real? Veja o vídeo sobre a pesquisa.

O próprio professor Richard Neave, da Universidade de Manchester, que comandou a pesquisa, admitiu que essa tentativa forense também tem suas limitações. Questões como cor da pele e dos olhos, forma e tamanho do cabelo e certas cartilagens exteriores são fruto exclusivo da imaginação do especialista, o que torna o resultado parcialmente artístico e não 100% científico como se supõe. Ademais, Neave usou o crânio de um judeu e não faria sentido pensar que todos os contemporâneos de Jesus eram parecidos.

Por Wendel Lima

Para saber +
DVD Evidências, volumes 1 e 2, com 16 programas cada
Livro Escavando a verdade, do Dr. Rodrigo Silva (CPB)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mãos abençoadas

Se a história de superação pessoal e sucesso profissional do Dr. Benjamin Carson, contada nas páginas dos seus livros, já emocionou e inspirou milhares ao redor do mundo, menor impacto não pode se esperar do filme sobre sua vida. Lançada em fevereiro de 2009, nos Estados Unidos, a produção começou a ser vendida no Brasil em janeiro deste ano (www.allcenter.com.br). Estrelado por Cuba Gooding Jr., cuja semelhança física com o médico impressiona, o filme mostra como o garoto de família desestruturada, com baixo rendimento escolar e temperamento descontrolado, se tornou um dos maiores neurocirurgiões do mundo. Tendo como ponto de partida uma das operações mais difíceis da carreira de Carson, a separação dos gêmeos siameses ligados pela cabeça, o roteiro retrata a infância de “Bennie” e mostra como a influência da sua mãe, da leitura e da fé em Deus foram fundamentais para que ele sonhasse e voasse alto.

Apesar de ser pintado como um homem sensível, religioso, idealista e bom pai de família, o filme decepciona os adventistas que (como eu) esperavam ver alguma referência ao adventismo. Na produção, a fé tem papel importante, mas secundário, na biografia de Carson. O grande mérito de seu sucesso é atribuído à mãe. Embora o drama termine com a bem-sucedida cirurgia de 1987, o “milagre” que consagrou o médico, deixou de abordar, ainda que no material extra, aspectos importantes da vida dele: como o trabalho filantrópico de sua fundação (http://carsonscholars.org), as condecorações que recebeu do governo americano e sua luta contra o câncer de próstata em 2002.

De qualquer forma, ninguém vai se arrepender de assistir Gifted Hands, pois é um estímulo para os jovens, uma homenagem aos pais dedicados e um lembrete a todos os cristãos de que nossas “mãos” são poderosamente abençoadas quando nos colocamos nas mãos de Deus.

(Wendel Lima, jornalista)

Para saber mais sobre o Dr. Ben Carson, leia Ben Carson (1997) e Sonhe Alto (1999). Acesse www.cpb.com.br ou ligue 0800-9790606.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Quem controla sua mente?

Duas matérias publicadas na revista Veja desta semana me fizeram pensar. A primeira é a reportagem de capa sobre a memória. Pesquisas confirmam o que já se sabia: que memórias associadas a emoções ficam mais efetivamente trancadas no cérebro. O neurocientista português António Damásio diz que essas “imagens interiores” produzidas por um estado emocional “constituem aquilo que chamamos de espírito humano”. A outra reportagem (“O ‘efeito Avatar’ chega à TV”) trata das novas TVs com tecnologia 3D, que vão tornar o ato de assistir a um filme muito mais emocionante, uma vez que, com óculos especiais, se poderá ter a sensação de estar participando da história. A associação entre as duas matérias me foi inevitável. Mais emoção virtual e mais memórias trancadas na mente. Ellen White afirma que pela contemplação somos transformados, então imagine o tipo de transformação a que estarão sujeitas as pessoas que decidirem imergir nessas produções hollywoodianas cheias de lixo... O “espírito humano” está ficando cada vez mais corrompido...[MB]

O assunto rende mais, por isso estou escrevendo um artigo sobre isso para a seção “Raio X” da próxima edição da revista Conexão JA.

Michelson Borges, editor

Leia também: “Avatar e a saudade do Céu”

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Você é a igreja

O cardeal Angelo Giuseppe Roncalli, de Veneza, na Itália, era muito amigo do papa Pio 12. Por isso, sempre que precisava desabafar sobre suas dificuldades e buscar conselhos com alguém mais experiente, recorria ao seu amigo. Após a morte de Pio 12, em 1958, Angelo se tornou o papa João 23 e ficou conhecido por seu bom-humor e bondade. No seu primeiro dia de trabalho, deparou-se com problemas maiores do que imaginava. Naquela noite, revirou-se na cama tentando driblar as preocupações e dormir. Finalmente, conseguiu relaxar ao decidir pedir conselhos ao papa no dia seguinte. Porém, perdeu o sono de vez quando se lembrou de que ele era o papa!

Essa ilustração, que ouvi em um sermão do pastor Amin Rodor, de maneira até engraçada, mostra que não se deve fugir das responsabilidades, principalmente das espirituais. Quando se está diante dos compromissos e desafios é comum ser tentado a desistir, fazer “corpo mole”, responsabilizar os outros ou até mesmo “pular fora”. Mas rejeitar ou atender de “qualquer jeito” a vontade de Deus para você não é a melhor maneira de começar, viver ou terminar um ano. Ainda que pareça não tão confortável, Deus o está chamando a priorizar aquilo que realmente é importante.

É preciso sonhar e acreditar numa igreja melhor. Uma igreja que tenha uma experiência real com Deus; que conheça, viva, pregue e defenda a Bíblia; que descubra seus dons e os aplique para o crescimento de todos; que se transforme numa comunidade cada vez mais acolhedora, a fim de que atraia seus familiares, amigos e vizinhos; que ilumine seu bairro; e que sinta a atmosfera do Céu a cada culto.

O que nós não podemos esquecer é de que a igreja sou eu e você. Se você deseja uma igreja melhor, seja um adventista diferente em 2010. A igreja dos sonhos começa com suas pequenas e grande atitudes. Com a pontualidade e frequência aos cultos; com o cuidado dos pais quanto à reverência dos filhos; com a organização, exemplo e otimismo dos líderes; com a oração intercessória dos mais quietos; com a participação dos tímidos nos bastidores; ou com a disposição dos jovens para “tocar” os projetos. A igreja com a qual eu sonho não é ilusão, porque é o ideal de Deus. Lembre-se: a igreja é você.

Feliz ano novo!

Wendel Lima

Viagem ao centro da Terra

Acompanhe nossa equipe em uma exploração às cavernas do Petar

Sono, muito sono. Afinal, eram cinco horas da manhã quando eu e o Daniel, um dos fotógrafos da Conexão JA, subimos ao ônibus em direção ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, o Petar. Criado em 1958, o Petar é a maior concentração de cavernas de São Paulo, localizado nas cidades de Iporanga e Apiaí, no sul do Estado. Acompanhávamos uma excursão de 46 jovens adventistas de Tatuí, SP. Para chegar lá, percorremos 230 km, a maior parte deles em uma estrada cheia de curvas. Não foi à toa que o ônibus deu uma paradinha para alguns se recomporem...

Chegamos em Apiaí por volta das 9h. Na entrada da cidade, os guias do Petar embarcaram e nos conduziram até o parque: subimos e descemos a serra. No meio do caminho, paramos para aproveitar a paisagem, no Mirante da Boa Vista.

Mais alguns minutos de viagem e, finalmente, o Petar. Descobrimos que o parque é bem maior do que imaginávamos – mais de 35 hectares – e o roteiro previsto incluía apenas o núcleo Santana (são quatro núcleos e cada um deles exige um dia de visita, no mínimo). Lá, os jovens se dividiram em grupos: todos iriam explorar os mesmos lugares, mas em horários diferentes. O Daniel e eu decidimos acompanhar um grupo pela manhã e outro à tarde.

LABIRINTO

A primeira aventura foi na Caverna de Santana. O guia, o animado Rodrigo Reis, nos informou que essa é a maior caverna do Petar. Ela possui cerca de 8 km mapeados, mas nossa caminhada seria de “apenas” 800 metros. E lá vamos nós, equipados com lanternas e capacetes.

De início, percebemos que essa não é uma caverna urbanizada como a lendária Caverna do Diabo. Para sair inteiro do labirinto, foi preciso se espremer em vários túneis estreitos e atravessar tábuas de 30 centímetros sob o Córrego Roncador, que passa dentro da caverna. A escuridão também não ajudou muito. O lugar era tão escuro que, para conseguir as imagens que você vê ao lado, o Daniel precisou da ajuda de uma lanterna para mirar o foco e de um flash superpoderoso.

Enquanto percorríamos a caverna, o Rodrigo aproveitou para nos explicar sobre as formações rochosas, que surgem a partir de goteiras de água. “Toda formação de cavernas é chamada de espeleotema. As mais conhecidas são as estalactites (que descem do teto) e as estalagmites (que ‘crescem’ do piso)”, listou ele. Mas há muitas outras rochas para ver, verdadeiras obras de arte da natureza: cabeça de cavalo, cabeça de macaco, pata do elefante, seios de Fafá, bolo de noiva, gruta do Cristo, altar, bailarina, asa do anjo (quando a estalactite abre para o lado), cortinas de bacon...

Um dos momentos mais emocionantes foi na gruta do segredo, próximo ao Cristo: quem quiser descobrir o mistério precisa se arrastar deitado no chão até o fim de um túnel de cerca de cinco metros, onde só cabe uma pessoa por vez. Entre minhas tendências claustrofóbicas e minha curiosidade, venceu a curiosidade. Arrastei-me até lá e desvendei o enigma. Só não vou revelar qual é...

No salão do encontro – gruta que liga os níveis inferior, intermediário e superior da caverna –, o Rodrigo fez uma brincadeira conosco. Pediu para que ficássemos em silêncio e apagássemos as lanternas. Blecaute! A escuridão era total; não conseguíamos ver nem mesmo os dedos da mão. “Se ficássemos acima de 25 minutos no escuro, teríamos a audição aguçada e começaríamos a ouvir ruídos que normalmente não ouviríamos”, garantiu o guia. Realmente, antes mesmo desse período, até conseguimos ouvir o barulho do rio, no piso inferior. Foi um alívio quando as luzes se acenderam novamente e encontramos o caminho de volta.

ANFITEATRO NATURAL

Depois de forrar o estômago, pegamos carona com outro grupo. Primeiro, fomos até a Caverna do Morro Preto. Para chegar lá, encaramos uma trilha de subida bem íngreme. Mas valeu a pena. Na entrada, um pórtico com aproximadamente 15 metros de altura e 10 de largura antecipou a visão interna.

Ao entrar no átrio, senti-me em um anfiteatro natural. A sensação se confirmou quando o guia, o Luís Antônio Reis (irmão do Rodrigo), nos informou que o Petar contrata uma orquestra para se apresentar ali em todos os seus aniversários. Alguém dá um grito para sentir a acústica. Impressionante.

Ainda no átrio, o Luís nos mostra alguns fósseis de caracol e lesma. Dada a altura elevada da caverna, ele diz que esses sedimentos só poderiam ser depositados ali por meio de uma forte correnteza de água (soa familiar?).

Com a ajuda de uma corda, passamos bem pertinho de um precipício. O guia tenta nos assustar contando a história de um homem que morreu nessa caverna. “Ele ultrapassou a área de visitação e se arriscou desnecessariamente”, tranqüilizou em seguida, garantindo que nosso trajeto é seguro. No fundo da caverna, vemos a luz da entrada. Seria muito nerd dizer que me lembrei da alegoria da caverna de Platão?

TÚNEL MOLHADO

Fazemos o caminho de volta e partimos para a última exploração, a Caverna do Couto. Ao contrário da larga entrada da gruta anterior, esta é bem apertada. Alguns até pensaram em desistir. Sem chance. Já dentro da caverna, descemos por uma escada e alcançamos o Rio Couto, onde é quase inevitável botar os pés na água. Além do frio, deu dó de molhar o tênis, mas... fazer o quê?

O grande destaque da Caverna do Couto é sua travessia de ponta a ponta, em cerca de 420 metros. O túnel, de início largo e espaçoso, vai se afunilando, afunilando, afunilando... lá pelo meio, temos que ir quase agachados. O Daniel, que mede 1,80 metro, agradeceu pelos capacetes: é que ele deu umas boas cabeçadas no teto. Eu, por minha vez, “dancei” bastante ao tentar me equilibrar nas pedras escorregadias.

Finalmente, chegamos à boca de saída da caverna. Então... fizemos o caminho de volta! Já explico: é que queríamos terminar o dia com um banho na Cachoeira do Couto, que fica na entrada da caverna. Se seguíssemos a saída normal, teríamos que enfrentar uma trilha enorme e não daria tempo. O jeito foi voltar e repetir tudo.

Mas é claro que houve emoções diferentes. Foi nesse momento que um morcego passou bem pertinho da gente. “Eles só atacam se você gritar ou ficar se mexendo, pois se sentem ameaçados. Basta ficar em silêncio e parado”, avisa o guia. Aham... falar é fácil, né?!

Ao sairmos da caverna, demos de cara com a cachoeira. Mais gelada, impossível. Mas ninguém relutou. Entramos na cachoeira com roupa e tudo, só para sentir a deliciosa hidromassagem natural. Depois, na volta para a sede do núcleo, enfrentamos até um banho de rio e uma travessia na pequena correnteza.

Fernando Torres

O teólogo Newton

Pouca gente sabe que Isaac Newton, um dos maiores cientistas de todos os tempos, era também estudioso das profecias bíblicas. Surpreendentemente, a revista Sapiens nº 4 (“filha” da Superinteressante) chamou atenção para esse lado pouco conhecido da história. O texto, com a chamada de capa “A face oculta de Isaac Newton”, afirma que o cientista passou a vida estudando a Bíblia para “prever quando Jesus voltaria à Terra”. O subtítulo, por sua vez, deixa claro o preconceito embutido: “Isaac Newton, quem diria, era um religioso fanático”. Fanático? Na verdade, o fato de Newton não ver contradição entre ciência e religião deveria fazer os cientistas céticos de hoje reverem seus conceitos.

A matéria diz mais: “No caso de Newton, o misticismo e a religião não só conviveram com a ciência como a fortaleceram. ‘Seu mergulho profundo nas experiências alquímicas [...] e nas raízes da teologia pode ter influenciado seus pensamentos a respeito de uma visão mais ampla do Universo’, afirma Michael White, autor da biografia Isaac Newton – O Último Feiticeiro.”

Segundo Sapiens, Newton morreu afirmando que o movimento e as órbitas dos planetas eram definidos por Deus, assim como a composição da matéria. “Se os homens, animais etc., tivessem sido criados por ajuntamentos fortuitos de átomos, haveria neles muitas partes inúteis, aqui uma protuberância de carne, ali um membro a mais”, escreveu o cientista, que “encarava o aprendizado como uma forma de obsessão, uma busca a serviço de Deus”, nas palavras de James Gleick, autor de Isaac Newton.

No fim da matéria, somos informados de que, nos últimos dias de vida, Newton passou a dedicar mais tempo ao estudo da Bíblia. É bastante significativo o fato de que, depois de tanto estudar várias áreas do conhecimento, Newton tenha se dedicado à Bíblia. Teria percebido nela uma fonte mais coerente e segura de informações e de inspiração?

Michelson Borges, editor

Ameaça atômica

Décadas após a Guerra Fria, o mundo volta a se preocupar com a ameaça atômica. O programa nuclear do Irã, o instável Paquistão e o isolamento da Coreia do Norte tornam a Terra um lugar mais perigoso. Apesar dos apelos internacionais pela redução de arsenal, cresce o temor de que outras nações ou mesmo grupos terroristas alcancem essa tecnologia.

O panorama é sério. A Coreia do Norte oferece perigo a sua vizinha do sul e ao Japão. Israel, alarmado com a retórica antissemita do regime iraniano e seu gigantesco programa atômico, pressiona por uma solução militar urgente. E, para complicar mais, segundo uma comissão bipartidária da Câmara dos EUA, o país norteamericano pode sofrer um ataque nuclear até 2013, pois a “margem de segurança” está diminuindo.

Não fosse a ação restritiva de Deus, o planeta provavelmente já estaria sob escombros e sem vida. A afirmação não é exagero, pois o arsenal nuclear mundial atual é capaz de destruir 16 vezes o nosso planeta, e já foi mais de duas vezes maior, segundo Roberto Godoy, especialista em segurança internacional. É evidente que Deus está contendo os ventos da guerra (Ap 7:1), num gesto de misericórdia e graça para salvar milhões, enquanto ainda há tempo.

Diogo Cavalcanti

Arsenal atômico mundial

Rússia: 5.192
Estados Unidos: 1.728
França: 300
Israel: 200
Reino Unido: 192
China: 176
Índia: 75
Paquistão: 15
Coreia do Norte: 2

Fonte: Bulletim of Atomic Scientists/The Guardian. Disponível aqui.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Acabou de sair do "forno": Conexão JA jan./2010

Acabou de ser impressa a revista Conexão JA do primeiro trimestre de 2010. Confira abaixo os destaques desta edição e faça já a sua assinatura por apenas R$ 17,40.

Matéria de capa: Você à venda - O consumismo é um mal que afeta todas as áreas da vida, inclusive a espiritual

Artigo: Como Dan Brown perdeu a fé - A história de um dos mais conhecidos escritores da atualidade é um alerta para os líderes cristãos

Artigo: Até que a sogra os separe - Entenda as razões dos conflitos e saiba o que fazer para melhorar essa relação

Pode crer - Começar bem no namoro aumenta as chances de um casamento feliz

Expressão - Três conversos da Igreja Adventista Nova Semente revelam como foram levados a Jesus e o que pensam os pós-modernos

Link - Os dez mandamentos do internauta cristão

Mercado de Trabalho - Tema polêmico: o profissional de saúde e a guarda do sábado

Portal - Dica para o seu Acamp 2010

Na Cabeceira - Aproveite as férias para conferir nossas dicas de leitura e um documentário

Bem Contado - A história de um filho pródigo moderno

Adrenalina - Nossa repórter entrou no carro do piloto recordista e experimentou suas manobras radicais

Raio X - Para ter certeza, às vezes é preciso duvidar

Dúvida Cruel - “Ficar” ou não?

Saúde e Beleza - O perigo de exagerar no consumo dos isotônicos

Aconteceu Comigo - O garoto que foi salvo por um papel amassado

Conexão Direta - Experimente a segurança da intimidade com Deus

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sexo. Por que não?

Como quase toda jovem cristã, ela era muito romântica e sonhava conhecer a pessoa ideal com quem se casar. Encontrou o “príncipe” e o namoro começou. Só que, com o tempo e a intimidade, os limites que haviam estabelecido começaram a ser desafiados. “A cada dia a gente falava mais sobre amor, e até sobre casamento. Era tão bom ficar com ele!”, relata a moça que prefere não ter o nome divulgado. “Mas percebemos que alguma coisa errada acontecia entre nós quando o sexo dominava nosso relacionamento. Quanto mais nos envolvíamos, mais íntimos nos tornávamos; e, mesmo assim, brigávamos muito. De qualquer maneira, estava segura de que ele era a pessoa certa para mim.”

O problema é que a “pessoa certa” acabou se transformando com o tempo. “Pouco a pouco, perdemos o respeito um pelo outro... Logo, tudo se inverteu. O amor começou a se desgastar. Havíamos compartilhado tudo e, como éramos muito jovens para nos casar, nosso relacionamento perdeu a graça. Haviam me prevenido sobre isso. Falaram-me repetidas vezes sobre a mágoa de se dar algo que nunca mais poderá ser recuperado. Agora entendo. Fui tola o bastante para descobrir por mim mesma.”

A garota da história acima tinha apenas 15 anos quando terminou o namoro e ficou com as mágoas. Ela ficou com medo de se apaixonar de novo e confiar novamente em alguém. Tremia só de pensar em falar de seu passado com um novo namorado. Tinha medo de não poder ter uma vida verdadeiramente íntima com ele, caso não contasse. “É terrível sentir-se privada do mistério do futuro, de sua dignidade, valor e respeito próprio. Eu amava o Guto*. A ferida vai demorar muito tempo para sarar”, é o desabafo de uma alma muito jovem para suportar tanto peso.

Vivemos em uma sociedade na qual os valores cristãos se deterioram a cada dia. Assuntos como reverência, santidade, temperança, pureza, castidade e modéstia cristã são vistos como temas de pouca importância. Aos poucos, o cristianismo tradicional é substituído por uma religiosidade do tipo “vale-tudo”. Afinal, “Deus é amor, e nos aceita como somos”.

De fato, o Senhor nos aceita como somos. No entanto, precisamos trilhar a estrada da santidade, adaptando nossos desejos à vontade de Deus, mediante Seu poder. Essa adaptação é necessária em todos os aspectos de nossa vida, inclusive na sexualidade.

É interessante – e triste, também – notar como o ser humano, após a queda e em decorrência dela, sempre tende ao extremismo. Durante vários séculos, especialmente na Idade Média, o sexo foi visto como tabu. O “pecado original” havia sido o sexo. O fruto proibido simbolizava o sexo. Quanta bobagem! Infelizmente, até isso contribuiu para que muitas pessoas acabassem interpretando o relato da criação no livro de Gênesis como uma simples alegoria.

Que o “pecado original” não foi o sexo fica evidente na ordem de Deus aos nossos primeiros pais: “Crescei e multiplicai-vos.” Gên. 1:28. E isso foi dito antes da queda.

Mas a Idade Média acabou. O “século das luzes” prenunciava uma nova era de liberdades (e libertinagens) para a humanidade. “Sexo livre”, “revolução sexual”, “parceiros sexuais”, “sexo seguro” são expressões que passaram a fazer parte do nosso vocabulário de tal maneira que nem as estranhamos mais. É o outro lado da moeda.

Somos bombardeados diariamente, sem tréguas, com todo tipo de apelo sexual. As músicas, as propagandas, as revistas, as novelas – a mídia em geral nos faz inverter certos valores, colocando o sexo sem compromisso como algo normal. E nós compramos a idéia. A revista Veja (24/05/2006) mencionou que o dramaturgo Sílvio de Abreu “tem uma tese, digamos sociológica para explicar a aceitação do sexo [na novela] Belíssima. A não ser em tramas de época, opina o noveleiro, as espectadoras rejeitam as personagens passivas. ‘As mocinhas de hoje têm de mostrar que sabem o que querem, inclusive no sexo’, diz”.

Vamos, então, à grande questão: “Por que não posso fazer sexo antes do casamento, já que é tão bom?” Aí é que está: é bom “dentro do casamento”. O sexo foi criado pelo próprio Deus para ficar sob as estruturas de um lar. Biologicamente, o sexo (a união carnal) tem como finalidade a procriação, mas o próprio Deus tornou essa “função” prazerosa. Da mesma forma que é importante se alimentar para continuar vivendo, mas para fazer isso com prazer temos o paladar – outro presente do Criador. No entanto, alimentar-se baseado apenas no prazer, sem obedecer a horários, pode ser uma cilada para a saúde. De igual forma, ter sexo fora do casamento pode ser um desastre. A ordem exata das coisas está em Gênesis 2:24: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Relembrando: 1) deixar pai e mãe; 2) unir-se à mulher; 3) os dois se tornam uma só carne.

Estamos constantemente procurando razões para nos sentirmos “aprovados” como cristãos. No que diz respeito ao sexo, é importante entender que Deus taxativamente não aprova o sexo fora do casamento. Isso está bem claro em Hebreus 13:4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula.” Você pode até achar que deve agir de maneira mais liberal, porque os tempos são outros, o mundo mudou. Bem, lembre-se: Deus não mudou.

A gravidez indesejada e DSTs são apenas alguns dos resultados negativos da experiência sexual fora do casamento. Há também, em alguma escala, o risco de promiscuidade. A palavra é forte, mas é isso mesmo. Vamos supor que você e a pessoa com quem você namora cedem e transam. Mas, infelizmente, o namoro não dá certo e vocês resolvem terminar. Logo, você começa a namorar outra pessoa. E aí, vai ter sexo ou não? Ah, vai. Você sente que a ama mais do que amava a outra pessoa, e não vai negar para essa o que não negou para a outra.

Leonardo, solteiro, 26 anos, guarda consigo um alerta de seu pai sobre sexo: “Não comece. Porque, se começar, não dá mais para parar.” Isso o ajudou num momento complicado. Ele vivia durante a semana em outra cidade, para estudar, indo para a casa dos pais apenas nos fins de semana. Um dia, uma amiga de faculdade foi ao seu apartamento e propôs que eles transassem. O que você faria no lugar dele? Ela era bonita, legal e cristã, como ele. Que armadilha! Mas o Leonardo escapou. Ele conta que, “numa boa”, disse que eles não iam ganhar nada com aquilo. Pelo contrário, mais tarde, ficariam tristes e arrependidos.

Mas... por que a gente pode se arrepender depois? Porque a virgindade não é uma questão apenas física, mas também emocional. Surge a culpa. Qualquer pessoa que tenha alguma comunhão com Deus, e faz sexo fora dos padrões estabelecidos por Ele, sabe que Ele sabe o que acontece na vida de cada um. Ou seja, Deus sabe que a pessoa errou. Quem consegue ficar de bem com a vida com um peso desses nas costas? É melhor evitar. “A gente tem que decidir antes; e, quando enfrentar uma situação difícil, a gente vai saber dizer não”, é a dica do Marcos, de 22 anos.

O ministro evangélico Ricardo Paixão faz uma conta matemática interessante, a respeito desse assunto: “O sexo é um ato tão íntimo que podemos dizer que parte de você fica com a outra pessoa e a outra pessoa fica com parte de você. Se você já teve relação sexual com alguém, então quando você se casar não poderá dar a seu cônjuge 100% de você porque parte de você já ficou com outro(a).”

Que Deus abençoe suas escolhas. Mas, caso você tenha errado no passado, peça perdão a Ele, levante a cabeça e lembre-se de que nunca é tarde para recomeçar. Obedecer à Lei de Deus e viver de acordo com os princípios divinos é a única garantia de felicidade aqui, e na vida eterna.

*Apesar de todas as histórias mencionadas serem verídicas, foram usados nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.

Por que NÃO?

Para evitar sofrimentos futuros e promover a confiança. Todo relacionamento humano se baseia na confiança. Com o casamento não é diferente. Para ilustrar, veja só esta parte da entrevista concedida ao pastor George Vandeman pelo doutor Josh McDowell, no programa Está Escrito: Josh contou que namorou uma garota por cerca de três anos e, 20 anos depois, sua esposa acabou conhecendo aquela ex-namorada. As duas se tornaram amigas. Certo dia, ao voltar para casa, Josh recebeu um abraço da esposa. Olhando nos olhos dele, ela disse que estava muito feliz por ter sabido que ele se comportou bem durante aquele período. “Jamais pensei que o meu namoro de 20 anos atrás poderia afetar o meu casamento hoje. Minha esposa confia em mim.”

Para evitar lares sem estrutura (ou mesmo a ausência de lares). Como dois adolescentes poderão assumir as responsabilidades de um lar, caso o envolvimento sexual pré-marital acabe em filhos (e freqüentemente acaba)? Esse é um dos maiores motivos de infelicidade conjugal. E que tipos de cidadãos um lar infeliz e desestruturado formará? Deus sabe o momento e o contexto certos para o envolvimento sexual, pois “o matrimônio, na maioria dos casos, é um jugo muito aflitivo. Milhares há que se acham acasalados, porém, não casados [...] da qualidade do lar depende a condição da sociedade” (Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 44). Quando se envolve em sexo fora do casamento, o jovem, além de jogar para o espaço um dos melhores momentos da vida, depara-se também com os problemas do aborto e de “pais solteiros”. E ambos trazem tristes conseqüências. É por isso que Deus diz, em Hebreus 13:4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula.”

Para não contrair DST. As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são outro fruto amargo colhido por aqueles que se envolvem em sexo fora do casamento. Quando Deus diz “não cometa imoralidade sexual” (1Ts 4), faz isso porque quer nos proteger das conseqüências dessa prática (aliás, toda negativa divina revela-se, cedo ou tarde, uma bênção para nós). Recentemente, foi realizada uma conferência sobre sexologia nos Estados Unidos. Quando perguntados se confiariam numa fina proteção de borracha (preservativo) para protegê-los se praticassem sexo com uma pessoa sabidamente infectada com o HIV, nenhum dos 800 sexólogos levantou a mão. “No entanto”, diz o psicólogo e escritor James Dobson, “estão dispostos a dizer aos nossos filhos que o ‘sexo seguro’ está ao alcance de todos, e que podem praticar sexo com todo mundo, impunemente” (citado por Clifford Goldstein, em O Dia do Dragão, p. 78 – Casa). O único sexo psicológica e fisicamente seguro é aquele praticado dentro do casamento. A virgindade ainda é o melhor presente que um casal pode trocar e a melhor garantia de proteção contra as DST.

Como evitar

Para evitar o sexo antes do casamento, primeiramente é preciso ter a firmeza de caráter para “remar contra a maré” e dizer não. Aqui vão algumas dicas para essa decisão:

Evite conversas sobre assuntos sexuais. Isso é um forte elemento de excitação. Piadas, frases insinuantes etc., devem ser evitadas. Existem outros assuntos sobre os quais conversar durante o namoro. Experimentem, por exemplo, ler bons livros juntos (ex.: Os Dois Lados do Sexo, Mensagens aos Jovens, Cartas aos Jovens Namorados, etc.).

Imagine que seus pais contrataram um detetive para segui-lo. Ele fará um relatório de tudo o que você fizer. Tendo isso como parâmetro, você fará com seu amor apenas aquilo que pode ser visto e relatado. Isso é um namoro seguro. Enquanto namoram, a pergunta básica é: “Podemos fazer isso no meio da praça central, ao meio-dia, sem constrangimento?” Se a resposta for sim, estão liberados. Tudo o que passar disso deve ficar para o casamento.

Evitem estar a sós por muito tempo. Tarde da noite, então, nem pensar.

Pesquisas revelam que os três locais onde mais ocorrem intimidades sexuais são: (1) a casa da moça, (2) a casa do rapaz e (3) o automóvel. Saber disso é bom para evitar o problema.

Não se deixe levar pelos meios de comunicação. Qual foi a última vez que você viu, na TV, um homem dizer a uma mulher: “Eu te amo”, e não irem para a cama? Qual foi a última vez que você ouviu alguém dizer “não” ao sexo em um filme? Os meios de comunicação (a TV e os filmes, principalmente) contribuem muito para a licenciosidade atual. O livro Vivendo nos Limites, do doutor James Dobson, traz uma entrevista com o assassino e estuprador condenado à morte, Ted Bundy. Não é preciso ler muitas linhas para se perceber o efeito da pornografia na vida daquele homem. Por isso, evite “ler, ver ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros”, diz Ellen White, no livro Mensagens aos Jovens, p. 285. E atenda ao conselho do salmista: “Não porei coisa má diante dos meus olhos.” Salmo 101:3. Não alimente indevidamente a chama que arde em você. Guarde-a para o momento certo, no contexto certo e com a pessoa certa. É assim que Deus deseja – para o seu próprio bem.

Michelson Borges e Sueli Ferreira de Oliveira

Aquecimento global é a nova religião

O título acima apareceu no site Opinião e Notícia, com o seguinte comentário: “É o que diz um renomado geólogo australiano, para quem as alterações climáticas são uma farsa perpetuada por ambientalistas. Ian Plimer, professor de geologia da mineração na Universidade de Adelaide, chega mesmo a dizer que a ideia do aquecimento global virou a nova religião para as elites urbanas dos países ricos [grifo meu]. Ele é um crítico do chamado ‘aquecimento global antropogênico’ – ou seja, produzido pelo ser humano – e da ortodoxia ambiental corrente, segundo a qual o fenômeno pode ser revertido por meio da redução da poluição atmosférica.

“Para Plimer, o aquecimento global é algo natural, com muitos precedentes na história do Planeta. Ele não é o primeiro cientista renomado a dizer isso, mas dá mostras de que não irá se dobrar ante a pressão do ‘jacobinismo ambiental’.”

O que Plimer parece não saber é que o ambientalismo, também chamado por alguns de ECOmenismo, está ajudando a unir movimentos, grupos e instituições tão díspares como o Vaticano e cientistas ateus em torno de um mesmo ideal: salvar a Terra da destruição. E eles têm até uma proposta: parar um dia na semana para que o Planeta possa “descansar”. Que dia será esse?

Michelson Borges, editor

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

É o fim!?

Casamento, estudos, carreira profissional. Os jovens têm tantos planos para o futuro. O que eles pensam sobre o fim do mundo?

Basta ligar a TV, ler a primeira página do jornal de hoje ou entrar em contato com qualquer meio de comunicação do mundo, e você recebe notícia de atentados, catástrofes – sinais que anunciam o fim. É manchete: o Apocalipse está chegando! Como os jovens cristãos vêem isso e o que pensam a respeito? Fazem planos para si? A equipe da Conexão JA reuniu sete jovens de vários cantos do Brasil para tentar descobrir. Os entrevistados: Caleb Miranda, São Paulo, SP; Carine Cardoso, Goiânia, GO; Clarissa Tagliari, Florianópolis, SC; Fernando Cerqueira, Nanuque, MG; Paulo Mondego, Brasília, DF; Rodrigo Galiza, Natal, RN; Vanila Pontes, São Paulo, SP.

Conexão JA: Do que vocês têm visto, o que demonstra que o mundo está mesmo no fim?

Rodrigo: Catástrofes em todo canto. A gente fez uma pesquisa na faculdade e viu que está aumentando a proporcionalidade entre o período e o número de furacões que ocorrem.

Paulo: Quem é adventista sempre se liga nessas coisas. Quando acontece alguma coisa, a gente liga ao fim do mundo. Só que, depois do tsunami, as pessoas ficaram mais apreensivas, ficaram mais atentas ao meio ambiente, aquecimento global. A mídia fala disso, e a gente fica de antena ligada porque sabe por que isso está acontecendo.

As revistas da banca trazem na capa “O fim do mundo começou”. É uma coisa espantosa. Dez anos atrás, se fizéssemos isso, seríamos alarmistas. Por que agora a mídia faz isso o tempo todo?

Paulo: Bom, a mídia aproveita tudo que dá ibope. Pode ser uma catástrofe, pode ser a morte de alguém. Deu ibope, ela cobre. Mas, cientificamente, a gente comprova que a natureza está evidenciando o fim do mundo.
Fernando: Nós, que realmente esperamos isso, que estamos atentos a tudo isso, não estamos falando disso. Esperamos as pessoas falarem...

Por que vocês acham que nós, como adventistas, nos acomodamos diante de tantas evidências do fim do mundo, quando todo o mundo está alarmado com isso?

Rodrigo: Acho que sempre demos ênfase a esses sinais, então isso ficou comum.

Vanila: A Igreja Adventista já há muito tempo prega sobre a volta de Jesus. A gente acaba se acostumando de tal forma que pensa: “É só mais um acontecimento. Ainda falta muita coisa pra acontecer.” E aí, acaba realmente se acomodando com a idéia de que ainda há muito tempo até o fim.

E guerras com motivação religiosa, isso também tem a ver com o fim do mundo?

Caleb: Já era predito que haveria guerras e rumores de guerra. A Bíblia diz que o amor vai se esfriar e cada vez mais vai haver isto: povo contra povo, nação contra nação.

Quando você vê o que acontece no mundo e constata que crê na verdade, como isso mexe com a sua fé?

Caleb: A gente se firma mais na fé. Mas, por outro lado, a gente não tem se preparado tanto, e acaba se esquecendo de ler a Bíblia, de estudar a Lição, de ter comunhão...

Carine: Uma questão interessante é sabermos defender nossos princípios, conhecer aquilo que a Igreja prega. Eu mesma não sei muito sobre profecias. A gente tem que cuidar um pouco com isso e se preparar pra isso não só para a volta de Cristo, mas para ajudar outras pessoas a entender a Bíblia e, quem sabe, dar um bom testemunho para essas pessoas.

Será que esse desleixo com as coisas espirituais também não é um sinal do fim do mundo?

Fernando: Sim, a Igreja está “morna”.

Como é que vocês vivem este paradoxo: tantos sinais e essa apatia?

Paulo: Quando eu me batizei, era uma empolgação tremenda. Nós trabalhávamos em prol da Igreja, vivíamos pela Igreja, a juventude era reunida naquilo. Hoje, eu diria que 10 por cento dos meus amigos daquele tempo ainda estão na Igreja.

Clarissa: Acho que isso acontece porque a gente pensa na volta de Jesus, mas não como uma coisa presente, que vai acontecer logo. A gente não vive pensando que Jesus vai voltar amanhã, no tempo real. Talvez os jovens até conheçam a doutrina, mas não conhecem Jesus direito, não sentem saudade dEle.

De quem é a culpa de o jovem hoje só ter Jesus na teoria?

Rodrigo: É mão e contramão. O jovem e o seu líder têm culpa. O líder não tem pregado sobre isso, e isso faz os membros da Igreja se acomodarem. Mas, como a salvação é individual, o jovem tem que buscar conhecimento, e não esperar apenas pelo líder. Quanto ao fim do mundo, existe uma coisa pra se pensar: parece mais interessante assistir a um filme sobre Lutero, que tem aí umas duas horas, do que ler O Grande Conflito. Mas a verdade é que eu também assisto a outros filmes. E, na questão do fim do mundo, passa alienígena, coisas estranhas. Daqui a pouco, o fim do mundo que eu espero não é igual ao que está na Bíblia, mas como Hollywood me mostrou.

Vocês acham que o fim vai ser catastrófico? Como vêem isso com esperança de uma nova vida?

Paulo: É uma questão muito pessoal. Porque, se você diz que tem medo, não está preparado. Você assume seu despreparo com relação ao fim do mundo. Se você diz que está esperançoso, é porque você está firme na fé que você tem, na religião que você tem. Não tem meio termo.

Fernando: Ah, eu acho que coragem não quer dizer ausência de medo. O que a gente precisa é manter a fé. Precisa acreditar que, quando chegar essa época, Deus vai nos dar força.

Paulo: Eu penso que vai ser uma coisa muito dura. A Igreja não está escondida como a gente pensa. Quanta gente nós conhecemos? Quanta gente que conhecemos vai nos entregar? Até dentro da própria Igreja vão surgir essas pessoas.

Rodrigo: A visão que precisa ter não é só de eventos finais, perseguição, fome, juízo. A Bíblia mostra que esse é um evento de esperança; eu vou sair deste mundo de pecado, vou viver eternamente.

Paulo: Entendo essa posição, e a gente tem que pensar assim; mas, quando chega o momento de você sentir na pele, a situação muda.

Vanila: O que me assusta é não saber se estou salva ou se estou perdida. As pessoas estão muito apegadas com o que nós temos no mundo e não conseguem ver que há algo melhor.

Paulo: É a visão do agora, a gente vive o “agora” e se esquece do futuro.

O que vocês entendem por perseguição?

Fernando: Talvez a gente não entenda bem essa história de tortura. Tivemos ditadura no Brasil, mas isso está só no livro agora. Então, nós já estamos acostumados com essa oportunidade de falar, de expor idéias. Não ter esse direito é algo de uma cultura distante, lá da Cuba, da China.

Dos que não nasceram na igreja, quando vocês se converteram achavam que Jesus ia voltar depois de quanto tempo?

Caleb: Pensava em algo perto de três anos. Pensava: “Vou começar a me preparar.”

Carine: Realmente, estava muito vivo. No dia do meu batismo, essa mensagem era tão viva pra mim, que eu achava que Jesus ia voltar naquele dia.
Vanila: Eu achava que nem ia fazer faculdade...

E hoje, como pensam?

Clarissa: É uma idéia com a qual a gente se acostumou.

Carine: É aquela questão do primeiro amor. Pra mim, Jesus ia voltar muito rápido. Eu tenho esperança de que Ele irá voltar muito próximo.

Se a gente mantiver o primeiro amor, não é o sermão do pastor que vai fazer a diferença na vida espiritual. O sermão do pastor ajuda, mas não dá para trocar pela Bíblia e pela oração. E o fim do mundo vai chegar, independente da espiritualidade de cada um. Então, analisando isso, o que você tem feito para se preparar?

Vanila: Quando eu olho para minha vida antes, às vezes, fico um pouco decepcionada comigo mesma, porque antes eu fazia mais. Não tenho participado muito na igreja, só esquento o banco. Eu preciso mudar. Mas uma coisa que eu tenho procurado fazer a cada dia é ter minha comunhão pessoal, acordar um pouco mais cedo, estudar a Lição, ler a Bíblia, a Meditação.

Fernando: Cristianismo é algo pra ser vivido na prática. A oportunidade é você quem faz e eu tenho aproveitado para me dedicar à pesquisa, saber mais sobre a volta de Jesus, o que cremos, e isso tem fortalecido minha fé. Tenho buscado manter Jesus sempre presente.

Clarissa: Deus dá o talento pra gente e a gente tem que achar uma forma de usar esse dom. Às vezes, eu sei, a gente desanima, porque há tantas pessoas que cantam, tocam ou falam melhor que a gente. Mas cada um pode testemunhar do seu jeito.

Caleb: Eu tenho feito muito pouco, mas quero fazer algo para crescer. A gente precisa escolher se, um dia, vai fugir ou perseguir.

Que demora...

Por que Cristo ainda não voltou

Qual é o dia mais importante da História? Poderia ser o dia de uma grande descoberta científica? Ou o dia em que o homem pisou na Lua? Poderia ser o dia do seu aniversário – sim, esse foi um grande dia –, mas me refiro a algo maior. Tente imaginar, então, um só dia sem morte, dor, angústia, doenças, guerra, poluição e medo. Existirá um dia assim? Se ele existir, será o dia mais importante de todos, você não concorda?

É interessante notar que o primeiro e o último dia deste planeta têm algumas semelhanças. No primeiro dia, as trevas que estavam sobre o abismo deram lugar à luz. Hoje, nosso mundo está em grandes trevas e muitas vidas estão à beira do abismo, mas o dia final será marcado pelo poderoso brilho da luz de Jesus Cristo. Então, o maior de todos os dias será o último, porque é o dia da volta de Jesus.

Esse dia – o mais espetacular de todos – será marcado por contrastes: enquanto alguns estarão ressuscitando, outros estarão pedindo a morte. Uns receberão a vida eterna, outros receberão o começo da condenação, e então o justo será finalmente separado do ímpio. Todas as coisas serão desfeitas. Esse dia também é importante porque põe fim a um ciclo de ação de Satanás e seus anjos, desde que eles se rebelaram e deram início à obra de ruína e destruição.

Se, por um lado, esse dia é almejado por muitos, como diz Jó – “Porque eu sei que o meu Redentor vive e que por fim Se levantará sobre a Terra” (19:25) –, por outro, há muitos que não querem que esse dia venha com suas revelações. O maior interessado em retardar esse dia é o inimigo, porque dali em diante ele se torna refém de seu próprio mal, e depois de mil anos será destruído.

Satanás fez vários experimentos para retardar o dia da volta de Jesus. Inicialmente, perseguiu e matou cristãos – mas, nesse caso, não foi bem-sucedido, porque com a morte de um, surgiam muitos outros. Então, ele mudou de tática. Desvirtuou as doutrinas bíblicas e introduziu falsos princípios no cristianismo. Mas aqui, também, não conseguiu bom êxito, porque surgiu um povo fiel que continuou obedecendo aos princípios doutrinários da forma certa. Por que todos esses ataques à Igreja? Porque é a Igreja que tem a missão de pregar o evangelho ao mundo. Isso quer dizer que a Igreja pode ajudar a apressar a volta de Jesus, como disse Ellen White: “Dando o evangelho ao mundo, está em nosso poder apressar a volta de nosso Senhor. Não nos cabe apenas aguardar, mas apressar o dia de Deus” (O Desejado de Todas as Nações, p. 633 e 634).

A Igreja Adventista do Sétimo dia tem essa missão. O inimigo tentou trazer novas doutrinas desvirtuadas para dentro da igreja, mas sem sucesso. Procurou distorcer doutrinas existentes como a Trindade, a natureza de Cristo, o Espírito de Profecia, mas igualmente sem sucesso. Por isso ele planejou um meio para deixar os membros da igreja apáticos e mornos, dificultando assim a pregação do evangelho. (Leia Apocalipse 3:16.) “Na ausência da perseguição, têm entrado para nossas fileiras homens que parecem sãos, de inquestionável cristianismo, mas que, caso surgisse a perseguição, sairiam de nós”, escreveu Ellen White, em Evangelismo, página 360.

O inimigo sabe que esse “grupo misturado” no meio do povo que aguarda a volta de Cristo faz com que eles não vivam plenamente e também não tenham todo o poder na pregação do evangelho. E quando o evangelho for pregado a todo mundo, virá o fim (Mateus 24:14). Interessante que White diz: “A obra está com anos de atraso. Enquanto os homens têm dormido, Satanás se nos tem adiantado furtivamente” (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 29).

Se Jesus tivesse vindo alguns dias atrás, você estaria preparado para recebê-Lo? A coisa maravilhosa é que, apesar da “demora”, Ele ainda convida todos os que querem mudar de vida, porque só Ele é capaz fazer essa transformação.

A volta de Jesus será o maior dia da História. Esse acontecimento se aproxima rapidamente. Você está pronto para receber o Rei?

Areli Barbosa, líder de Jovens na União Sul-Brasileira

Presente de Deus

A Bíblia coloca o sexo em sua verdadeira moldura. Segundo o Pastor Edson Nunes Jr., líder da comunidade judaico-adventista de São Paulo e mestrando do Centro de Estudos Judaicos da USP, “a visão judaico-bíblica do sexo é baseada claramente em Gênesis 1 e 2, ou seja, o sexo foi criado por Deus e instituído antes do pecado”. Edson destaca uma nuance interessante do texto: Deus diz que homem e mulher formam “uma só carne”, isto é, eles se tornam um, e essa é a principal característica do próprio Deus (Dt 6:4). “No sexo, o ser humano deve refletir o caráter de Deus, daí a importância do sexo como fator de santidade”, afirma Edson. “É importante notar que Moisés ‘gasta’ boas páginas de Levítico, Números e Deuteronômio para tratar de pecados sexuais. Outro fator importante é a questão do sexo dentro do casamento. A história de Isaque é o exemplo mais claro.”

Para o Pastor Edson, Cantares 2:16 estabelece o padrão de relacionamento sexual: um homem e uma mulher. Ele é dela e vice-versa. Não há inserção de terceiros. Sobretudo, o que leva ao sexo, erotismo e prazer entre eles é justamente essa reciprocidade (companherismo, intimidade, interação, parceria, compromisso), uma espécie de pacto pleno, um pertencer ao outro único, completo, profundo.

Infelizmente, para tudo o que Deus fez e abençoou, Satanás criou uma contrafação. Deus criou o sexo, o inimigo criou a licensiosidade. Deus orientou o namoro, o diabo inventou o “ficar”. Deus criou o homem para apreciar a beleza feminina, o anjo caído tratou de saturar o mundo com a superesposição do corpo da mulher, tornando-a um objeto e estimulando o adultério – de fato ou mental.

Mas, aqui também, o que Deus quer é que voltemos ao plano original, com a ajuda dEle.

Michelson Borges, editor

Altar de Hollywood

Igreja e cinema. O que eles têm em comum? A resposta pode ajudá-lo a tomar uma decisão

É comprovado que o ser humano sempre teve necessidade de adorar alguma coisa em algum lugar. Pode-se ver isso em todas as culturas, em todos os lugares, até nos dias atuais. Do ponto de vista espiritual e escatológico, é interessante que o cinema surgiu no século 19, praticamente na mesma época que o movimento adventista. Quando foram feitos os primeiros filmes, as sessões eram realizadas nos mesmos horários de cultos e missas, aproveitando o tempo disponível das pessoas e o “ritual” que já era feito nesse tipo de deslocamento.

Para ir ao cinema, deve haver, obviamente, um deslocamento chamado pela psicologia de “representação dirigista”, ou seja, pessoas que não se conhecem se orientam em uma mesma direção, com o mesmo objetivo. Dessa forma, o indivíduo se sente sociável, representando a crença de que, para conseguir algo, deve-se sair de casa, e de que coisas importantes se fazem em locais especiais.

Pela Psicologia da Comunicação, o estudo da Semiótica, sabe-se que a pessoa que vai ao cinema está indo literalmente a um templo – é um ritual religioso em sua essência, sendo, então, o preenchimento da necessidade básica de adoração. O cristão que vai ao cinema possivelmente começará a perder a vontade de se deslocar até sua igreja. Há uma competição entre as duas “igrejas”. A necessidade que Deus colocou no ser humano – de adorá-Lo – será preenchida pelo ritual de ir ao cinema, um caminho, digamos assim, mais “atraente”.

Existe ainda outro vínculo com a religião. Quem não ouviu falar em termos como “astros”, “deuses” e “ídolos” do cinema? Geralmente, quando se comenta sobre determinado filme, surge uma frase como: “Você já viu o novo filme do Fulano?”, vinculando a produção não ao título, mas sim ao “ídolo”. Muitas vezes as pessoas vão ao cinema por causa do “ídolo” e acabam por seguir seu estilo de vida.

NO ESCURINHO DO CINEMA

Assistir a um filme no cinema também exige preparo. Som, imagem, escuridão... Tudo projetado para causar mais impacto. A psicologia chama isso de “suspensão da realidade” (ou da “credibilidade”). A pessoa, ao entrar no cinema (espaço fechado), experimenta a suspensão do dia-a-dia; deixa do lado de fora sua vida e “esquece” a realidade e o que rege sua existência – inclusive os princípios.

Na comparação cinema-igreja, existe ainda a questão de sentar na frente ou atrás e assistir de determinada maneira (vestuário). O indivíduo tem que estar com outras pessoas, necessitando do apoio de outro. Compartilhar é ser sociável, e o cinema preenche essa necessidade. Dentro do cinema, o corpo faz parte do ambiente, se incorpora a ele – todos que estão lá pertencem à linguagem dinâmica do filme; não há cinema sem pessoas interagindo.

O som surround, em volume alto, mexe com a noção de equilíbrio, de espaço do corpo. A tela gera a inquietude da “próxima cena” no espectador. Em qualquer tipo de filme, o cinema gera suspense, altera os batimentos cardíacos, a sudorese, causa ansiedade, e as trilhas sonoras contribuem muito para isso. As telas cada vez maiores, panorâmicas, englobando a visão fóvica (central) e a visão periférica do indivíduo, não geram escape visual, como numa televisão. E mais: o ambiente escuro e um único ponto de luz são fatores importantes para a hipnose (olhar atentamente para um ponto fixo). É bom lembrar que não mais do que 20% daquilo que vemos, ouvimos ou sentimos passa pelo consciente. O restante fica armazenado no inconsciente e não se tem controle sobre o que está guardado lá.

Agora, imagine que você foi ao cinema assistir a um filme. Você já fez um ritual religioso, foi adorar algo sem perceber. Deixou sua realidade fora do ambiente, seus sentidos estão tomados pelo contágio, pelo desenrolar do filme; o poder de um som alto e surround mexe com seu equilíbrio; tudo isso somado ao princípio da hipnose toma conta de seus sentidos. Você entra, participa do filme com todas as suas emoções e seu inconsciente acredita piamente que o que vê é realidade. Isso se torna a sua realidade. O que você faz?

1. Tem consciência de todos esses fatos e fecha os ouvidos e os olhos.

2. Tem consciência disso tudo e sai correndo do cinema – como José fugiu da esposa de Potifar –, e todos ficam achando que você é um maluco.

3. Não tem consciência de nada disso, acha que ir ao cinema é algo inofensivo, curte tudo “numa boa”, e depois sai da sala de cinema com a mente cauterizada e as emoções dessensibilizadas.

4. Não vai ao cinema e está com a mente livre de tudo isso.

A decisão é unicamente sua. A quem e onde você deseja adorar? Com que pessoas você quer ter comunhão? Com o que pretende se envolver? A quem você quer entregar seus sentidos e toda a sua vida?

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Provérbios 4:23.

Cristiano James Kleinert, designer e programador visual

Juventude espiritual

Adolescentes e jovens não se interessam em igreja e religião. Essa impressão às vezes leva os pais e líderes espirituais a coçar o queixo, franzir a testa e declamar discursos de ordem. Porém, isso pode refletir muito mais a realidade dos adultos e seu próprio desinteresse. É o que revela uma pesquisa entre adolescentes e jovens norte-americanos, realizada pelo Barna Research Institute.

Segundo a pesquisa, os adolescentes e jovens vão mais à igreja do que os adultos e participam mais de reuniões de pequenos grupos. Apesar disso, eles oram menos que os adultos e leem menos a Bíblia (10% menos, em ambos os casos). O que a juventude mais espera em relação à igreja (45%) é “louvar e ter uma experiência de comunhão com Deus”. Conhecer melhor as próprias crenças é a segunda principal preocupação desse grupo (42%). Entre as preocupações menos importantes, estavam participar de um grupo de estudos (19%) e estudar a Bíblia (18%).

Embora adolescentes e jovens desejem ter comunhão com Deus e conhecer mais a respeito das próprias crenças e valores, parece que têm pouca paciência para os modelos tradicionais de estudo da Bíblia. A geração Orkut tem dificuldade em assimilar formas de estudo bíblico lineares e não interativas. Isso não representa falta de espiritualidade, mas revela uma nova forma de encarar a vida e aprender. Essa realidade desafia pais e líderes espirituais a deixar de lado o conforto dos seus próprios modelos e buscar formas de maior interação, estabelecendo conexões entre a mensagem em seu contexto histórico, os dramas e as alegrias do público jovem, e a realidade atual.

Adolescentes e jovens estão em uma fase de definição de seu futuro espiritual. Mais do que doutrinados, querem ser ouvidos quanto às suas dúvidas, aconselhados em relação aos seus temores. Então, poderão ser guiados à fonte de toda a verdade e estabelecer links infinitos entre a Palavra e a vida.

Guilherme Silva, jornalista

Editores da Conexão participam do fórum da Aner

A Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) promoveu na semana passada no Teatro Raul Cortez, na sede da Fecomércio, em São Paulo, o 3º Fórum Aner de Revistas, com o tema “Um futuro digital que preserve o impresso”. Foi um dia bastante intenso, com palestras apresentadas por renomados expoentes da comunicação nacionais e internacionais, entre eles Roberto Civita, diretor editorial do grupo Abril; James Collins, vice-presidente sênior de pesquisas do Mediamark Research & Intelligence; Pyr Marcondes, diretor do Núcleo ProXXIma do Grupo M&M; Frederich Kachar, diretor geral da Editora Globo; Daniel Chalfon, sócio e diretor de mídia da MPM; entre outros. A mestre de cerimônias foi a apresentadora do Jornal da Globo, jornalista Christiane Pelajo.

“Os recentes desenvolvimentos da indústria editorial mostram que os editores precisam estar cada vez mais preparados para a evolução do seu negócio e adaptação ao meio digital”, diz o texto o texto de apresentação do programa. Os palestrantes deram uma amostra de como está o cenário atual do mercado de revistas e apontaram as perspectivas para um futuro multimídia em que a essência das publicações terá um papel crucial para atrair a atenção de um público leitor cada vez mais exigente.

Os palestrantes falaram ainda sobre as novas tecnologias digitais, mídias sociais, a questão do conteúdo aberto e fechado (afinal, como foi dito, a informação quer ser gratuita, mas a qualidade tem um preço) e a qualidade editorial nas múltiplas plataformas. Foram apresentados casos de sucesso e compartilhadas dicas de como fazer uma revista impressa sobreviver em meio ao avanço digital.

O presidente da Aner, jornalista Roberto Muylaert, abriu o dia afirmando que, a despeito da não obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, “vamos continuar a contratar profissionais de comunicação”. A justificativa tem que ver com a manutenção da qualidade na apuração e tratamento da informação, atividades para as quais o jornalista é treinado.

A tônica que permeou as discussões teve que ver com a boa convivência entre as mídias impressas e as digitais. O palestrante André Jalonetsky, diretor da Editora Escala, diz que as mídias se sobrepõem e brinca: “Tecnologia é uma coisa inventada depois que você nasceu.” Portanto, é importante se atualizar e conhecer as novas possibilidades de disseminação de conteúdos, fazendo com que uma mídia ajude a outra. Uma dessas mídias, o Twitter, foi descrita pelo vice-presidente executivo da Editora M&M Marcelo Salles Gomes como ótimo recurso para (1) gerar tráfego para o site ou blog da revista, (2) acompanhar a repercussão de matérias publicadas, (3) elaborar matérias com a participação dos leitores, e (4) aproximar a marca da audiência, já que a linguagem nessa e em outras mídias sociais é mais informal. Ele deu alguns exemplos de revistas que estão se valendo desse recurso: a Capricho tem hoje mais de 170 mil seguidores; a Veja tem quase 95 mil, e a Superinteressante já passa dos 66 mil.

Jairo Leal, presidente executivo da Abril, afirmou que a internet é a grande aliada das revistas, e justifica: “A internet não alterou o hábito de ler revistas; é mais um meio de comunicação para nossas marcas; fortalece a relação com o público; e ajuda a aumentar as assinaturas.” O fato de haver 64 milhões de internautas no Brasil, dos quais 27 milhões leem sites de revistas, parece justificar a tese de Jairo.

Os jornalistas Michelson Borges, Wendel Lima e Diogo Cavalcanti, editores da revista Conexão JA, participaram do evento representando a Casa Publicadora Brasileira (CPB) juntamente com outros editores e alguns administradores da instituição.

Segundo Wendel, “algo que o fórum deixou claro é que a internet não vai acabar com a mídia impressa, pelo contrário, tem mostrado ser uma ferramenta fundamental para a sobrevivência e expansão das revistas. Não tem como pensarmos num futuro, sem a integração estratégica das mídias”.

“Pairou a certeza de que o jornalismo impresso está em uma preocupante transição, vendo crescer em torno de si a ‘matéria escura’ do universo digital”, avaliou Diogo. “Um gigante horroroso chamado Google, milhões de sites, blogs, twitters, kindles, celulares, os meios e devices que você quiser, giram absurdamente numa espiral insana chamada mercado editorial. Simplesmente ninguém no Brasil nem fora dele pode prever o futuro do jornalismo impresso, nem dar a ‘receita do bolo’ para se sobreviver financeiramente na internet”, completa o jornalista. Apesar da incerteza, para Diogo está mais do que clara a importância de se criar uma simbiose entre mídias impressas, digitais e outras, a fim de impactar leitores por todos os canais disponíveis. “Além disso, o conhecimento e a satisfação das demandas dos leitores serão a única maneira de prosperar no futuro”, prevê.

Uma das palestras de que os editores da Conexão mais gostaram teve como título “O poder de uma capa perfeita”, e foi apresentada pelo veterano Thomaz Souto Corrêa, da editora Abril. Corrêa participou do lançamento e reformulação de inúmeras revistas da editora e apresentou algumas características da boa capa: (1) existe para vender a revista; (2) capa bonita vende mais do que revista feia; (3) capa é um convite, um apelo, uma convocação. Segundo ele, “a boa capa tem que ter uma imagem forte, ter boas e claras chamadas, atratividade, legibilidade, surpresa e representatividade do conteúdo da revista”. Na definição de alguns profissionais do meio, a boa capa tem que ter uma ideia e deve comunicá-la de maneira rápida e clara (em três segundos, segundo Corrêa). Além disso, não basta ser linda e não basta ser informativa, e deve despertar a vontade de comprar e de guardar para sempre.

Em sua palestra, durante o almoço que reuniu os mais de 700 participantes no restaurante da Fecomércio, o jornalista Roberto Civita disse ser esta uma época “divertida”, pois ninguém sabe exatamente para onde as coisas caminham. Segundo ele, “nosso trabalho tem alma, não é apenas um negócio, como vender sabonetes”.

Michelson Borges, editor